A genealogia de Rute é um dos pilares da história bíblica, conectando uma estrangeira à linhagem do Rei Davi e de Jesus Cristo.
Ancestrais (Origem Moabita)
Rute pertencia ao povo moabita, que se originou de Moabe, filho de Ló (sobrinho de Abraão).
Fontes Rabínicas: Segundo o Ruth Rabbah e o Talmud, Rute era de linhagem real, sendo filha do rei Eglon e neta (ou descendente direta) do rei Balaque.
Contexto Bíblico: Ela foi casada primeiramente com Malom, filho de Noemi e Elimeleque, mas não teve filhos desse primeiro matrimônio.
Descendência (Linhagem de Davi e Jesus)
Após a morte de seu primeiro marido, Rute casou-se com Boaz em Belém, dando continuidade à linhagem messiânica:
Boaz + Rute
Obede (filho)
Jessé (neto)
Davi (bisneto e rei de Israel)
Jesus Cristo (descendente direto pela linhagem de Davi, conforme Mateus 1:5).
A inclusão de Rute na genealogia de Jesus é vista por teólogos como um símbolo da universalidade da salvação, demonstrando que a graça de Deus alcança todas as nações, não apenas Israel
A história de Rute é um dos relatos mais profundos da Bíblia por transformar uma tragédia pessoal em uma narrativa de fidelidade, redenção e providência divina.
1. A Travessia do Luto e da Lealdade
A história começa em um cenário de escassez e perda: Noemi, uma israelita que fugiu da fome para a terra de Moabe, perde o marido e os dois filhos, ficando sozinha com suas noras moabitas, Rute e Orfa. Enquanto Orfa decide retornar ao seu povo, Rute profere uma das declarações de compromisso mais emblemáticas da história:
"Para onde fores, eu irei; onde ficares, ficarei! Teu povo será meu povo e teu Deus será meu Deus".
Esta decisão não foi apenas emocional, mas um ato de amor hesed (lealdade sacrificial), pois Rute, como viúva e estrangeira, estava escolhendo uma vida de pobreza extrema e marginalização em Israel para não abandonar sua sogra idosa.
2. O Encontro na Escassez
Ao chegarem em Belém, Rute passa a respigar (colher as sobras) nos campos para sustentar Noemi — um trabalho exaustivo destinado aos mais pobres. É nesse cenário cotidiano que a "coincidência" divina acontece: ela vai parar nas terras de Boaz, um homem rico e parente de Noemi.
Boaz não vê apenas uma estrangeira trabalhando; ele reconhece a virtude de Rute e a protege, seguindo as leis de generosidade para com os imigrantes.
3. A Redenção e o Legado
O clímax ocorre quando Rute, seguindo os conselhos de Noemi, pede a Boaz que exerça seu papel de "Resgatador" (Goel). Na cultura da época, o resgatador era o parente que comprava as terras da família para que elas não se perdessem e casava-se com a viúva para dar continuidade à linhagem.
Ao aceitar resgatar Rute, Boaz torna-se um tipo de Cristo, simbolizando aquele que resgata a humanidade da sua "pobreza espiritual".
O Impacto Profundo
De Estrangeira a Ancestral: Rute, uma gentia moabita (povo inimigo de Israel), foi incluída na genealogia de Jesus. Ela é a bisavó do Rei Davi.
Deus no Comum: A história mostra que Deus não age apenas através de milagres grandiosos, mas através da fidelidade de pessoas comuns em suas tarefas diárias.
Esperança na Amargura: Noemi, que queria ser chamada de "Mara" (Amargura) devido às perdas, termina a história com um neto nos braços, vendo sua esperança restaurada pela lealdade de sua nora.